Chiloé: a resistente identidade chilena

⦾≈ Resistance. This is the word that best defines Chiloé, the mystical island that protects its customs in front of an almost corrupted and culturally lost Chile. The indigenous traits, the distinct accent, the isolation. Ingenuity and unique gastronomy that mixes seafood with a countryside taste. Crafts, shellfish, vegetable fiber, wool. The architecture translated into houses of tejuelas, palafitos and iconic churches. An archipelago of pirates, wizards, legends and myths. For this publication, we registered churches, the Muelle de las Almas, the small and silent Isla Aucar and our walks in Castro.


Resistência. Essa é a palavra que melhor define Chiloé, a mística ilha que protege seus costumes à frente de um Chile quase corrompido e culturalmente perdido. Não é ofensa dizer que este país é um Estados Unidos da South America e os próprios chilenos sabem o quão escassos são de identidade. Mas, Chiloé resiste.

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Os traços indígenas, o sotaque distinto, o isolamento. Ingenuidade e cozinha própria que mesclam mar e campo. O artesanato, os mariscos, a fibra vegetal, a . A arquitetura traduzida em casas de tejuelas (escamas), edificações em palafitos e em igrejas icônicas. As festas, os cais, o Pacífico.

Arquipélago de piratas, de bruxos, lendas e mitos. Chonos, huilliches, cuncos e ibéricos. Mestiços. Chilotas. A graça dos antigos ao dizer que vão ao continente ou à Chile quando saem da ilha. Um ritmo de vida lento e sereno. Dias e dias de chuva. Cores que compensam o tímido sol.

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Chiloé tem ainda histórias de bruxaria. Uma sociedade de bruxos chamada ‘Recta Província’ ou ‘La Mayoría’, formada por maioria indígena, chegou a ter um certo poder sobre a comunidade chilote. Isso porque administravam uma justiça própria. Envenenavam pessoas que tentavam destruir os ideais e por outro lado aplicavam a cura por meio da feitiçaria ancestral.

Em 1880, com o Julgamento de Ancud, o governador Martiniano Rodríguez sentenciou membros acusados de fazer parte dessa sociedade. Com isso, a bruxaria foi perdendo força e o clã se desarticulando e se dissipando pelo arquipélago. Hoje, restam apenas lendas sobre los brujos de Chiloé.

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Tem também a maré roja e suas microalgas tóxicas que afetam a criação de peixes. A indústria do salmão que prejudica o ecossistema local. A gentrificação e a lei de concessões que roubam a autenticidade dos palafitos. A falta de vida boêmia, que para nós é um grande problema.

Well, nesse forasteiro lugar, é na capital Castro onde vivemos. A descobrir os segredos chilwé e a trabalhar como voluntários no La Minga Hostel. Nosso objetivo é explorar ao máximo esse pedaço de Chile profundo. Conhecer a arquitetura, a gastronomia, a mitologia. Inclusive, esses dois últimos temas vão ganhar publicação à parte.

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Por ora, deixamos aqui nossos registros de algumas igrejas espalhadas pelos pueblitos, da vista para o mar, do Muelle de las Almas em Cucao, da silenciosa Isla Aucar, dos passeios em Castro e das feiras típicas e artesanais. Trajetos feitos de bicicletas (graças ao Chiloetnico) e com os microônibus que saem diariamente da capital para todas as cidadezinhas da ilha.

 

Iglesias de Chiloé 

Uma das manifestações de mais relevo em Chiloé é o acervo de igrejas que formam a Escuela Chilota de Arquitectura Religiosa. São cerca de 140 templos, construídos no século XVIII, espalhados pelo arquipélago e ilhotas. Hoje, 16 deles foram decretadas Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

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A história aqui repete a deplorável tentativa de aniquilação das crenças indígenas com a chegada dos primeiros jesuítas ao Chile, em 1608. Alcançaram êxito e o que a história traz de mais interessante nisso tudo, para nós, é nada além da arquitetura.

Construídas com madeiras locais,  guardam entre si detalhes próprios e algumas variações individuais. Arcos, torres e cruz seguem uma simetria e servem de orientação para os marinheiros. Por isso, todas foram construídas com a portada em direção ao mar. A referência marítima segue no interior, com os tetos que formam cascos de barcos.

Não sei. Para nós, esses santuários exibem, em algumas edificações, um universo extremamente lúdico e ao mesmo tempo enigmático. São as cores exóticas e infantis, as estrelas, as figuras geométricas, os santos e demônios, os relógios de horas fixas.

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2 comentários sobre “Chiloé: a resistente identidade chilena

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