La Paz é kitsch e possível de amar

⦾≈ La Paz is kitsch and this is the coolest thing. It has its own organism, crazy and shy at the same time. When you don’t feel you’re totally living in the 90s here, you might be feeling in the 80s or 70s. The city is tacky, full of scandals and drama. But it’s also traditional, innocent and romantic. To feel the heartbeat of the city, we stayed by the districts close to the Centro Histórico/Casco Viejo (Old Town), in the streets by the Mercado de las Brujas (Witches Market). Then, we took the supermodern cable car they have here to get to the Feria 16 de Julio de El Alto (a huge thrift shop to buy anything you can and can’t imagine), to the Museo Nacional de Etnografia e Folklore, which has wonderful pieces of the whole history of weaving and a fabulous set of carnival masks from all over the country. The charming Calle Jaén is worth visiting to check on a some other museums and cafes. To eat, drink and dance, Sopocachi district is the place to go. La Paz was the place that gave us pleasure in seeing, noticing, analyzing and being amazed. The chaotic and polluting traffic, the moustaches, the sweetness and harshness of the cholitas, the mysterious shoeshiners, the handicrafts, the architecture blending the old and the new and the colorful bus. La Paz is kitsch, tacky, cheesy and we love it.


Que incitante é quando uma cidade fala com você assim, de imediato. La Paz fez isso e nos surpreendeu. Talvez seja por isso que a gente já ama esse lugar. A metrópole e capital administrativa que logo se mostra e, quando não está totalizada nos anos 90, te joga para os anos 80, 70 ou para nossos dias atuais. É kitsch e isso é maravilhoso. É ingênua e dona de figurino. Tem um organismo próprio, frenético e tímido.

É como se AlmodóvarWong Kar-Wai se unissem para fazer um filme. Resultaria nos dias em La Paz. A cidade tem seu jeito cafona, seus escândalos e dramas. Mas, tem sua tradição, sua inocência e seu romantismo. Características bem perceptíveis na figura da mulher, matriarcal desde suas vestes que as fazem cholas até a maquiagem em exagero para relevar beleza. E essa mistura toda é deliciosa.

A cidade tem mesmo dessa latinidade que, em algumas partes, parou no tempo. Nos edifícios, no consumo, nas fachadas, nos adornos. Tem um excesso e uma modernidade que lembram uma Ásia de alguns anos. No sistema urbano de ônibus, o Pumakatari, todo cute estampando o puma com corpo de serpente, nas pelúcias a vender, no teleférico, nos costumes e convicções.

Ficamos em La Paz uma semana e sim, queríamos mais. Porém, como aqui não havia trabalho voluntário e não conseguimos Couchsurfing, tivemos de pagar hostel. Assim, não cedemos ao desejo de ficar. Mas, fomos felizes por fazer tudo que nos chamava atenção e ainda por conseguir ver o coração da cidade bater. Para sentir mais desse batimento, ficamos pelos bairros do centro velho e centro histórico da cidade, bem nas ruas do Mercado de las Brujas. 

Foi a vez em que caímos em tentação e compramos algumas cositas. Ponchos, gorros e tênis. É Bolívia, né? Terra de tecelãs maravilhosas. Aí que além do Mercado de las Brujas, com produtos locais, tem a Feria 16 de Julio de El Alto, que é assim, uma 25 de Março misturada com um dos maiores brechós a céu aberto que já vimos. Como o país recebeu muita doação de roupas/sapatos dos EUA, no fim do século passado, tem lá esse paraíso cheio de Dr. Martens, Nike, New Balance e Timbaland, tudo design 90s e barato de morrer ♡.

Visitamos o Museo Nacional de Etnografia e Folklore, que tem peças maravilhosas de toda história da tecelagem e um o conjunto fabuloso de máscaras de carnavais de todo país. Eles têm o segundo maior carnaval do mundo, extremamente rico em cultura. Passeamos também muito pelo lindo e imponente casco histórico, onde fica a charmosa Calle Jaén, estreita, colonial e com museus um ao lado do outro. Aí passamos só de ônibus pelo bairro gourmet e das boates, que é o Sopocachi.

Bom, La Paz foi o lugar em que nos deu prazer perceber, ver, analisar e se surpreender. Caminhávamos à toa para isso. Já que uma garrafa/caixa de vinho compensava mais do que cerveja, era isso que a gente comprava para sentar nas escadarias centrais a beber, se esquentar e assistir a cidade funcionar. O trânsito caótico e poluente, os bigodes, a doçura e dureza das cholas, os misteriosos engraxates, os artesanatos, a arquitetura mescla, os ônibus antigos e coloridos.

Foi assim que La Paz falou, revelando veias e tons gritantes, de vez e de voz. Nos transportou frequentemente a baladas antigas. Sorriu, ensinou a localizar e prestou informações. Mas, exigiu respeito, foi extrema e pulsante, sem deixar de ser política, massificada, engraçada e até inacreditável. Culturas. Por isso, vamos sem entender quem não enxerga beleza e valor nessa confusão toda. La Paz é kitsch e isso é genial.

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