Seu João e a padaria mais antiga de Rio Branco

⦾≈ A warm and cloudy morning in Rio Branco was predicting that the forecast was going to be nothing but rain. We climbed the stairs, passing next to a door which we could already see the production of bread, to get to the administration room. Behind the table, a short and slightly bent figure was waiting for us. João Geraldino de Souza, owner of the oldest bakery in town, soon begins to tell his story. This is how we got to know this sir with a suspicious face and a sweet smile to register a universe that draws to Diego’s childhood: between wheat flour bags and a lot of breads.


Manhã abafada em Rio Branco e cheia de nuvens avisando que a previsão seria de chuva. Subimos as escadas, passando ao lado de uma porta de onde já se via a produção de pães, para chegar a sala da administração. Por detrás da mesa, uma figura baixinha e pouco encurvada, nos esperava. João Geraldino de Souza, dono da padaria mais antiga da cidade, logo começa a contar sua história.

“Eu comecei vendendo pão no cesto para uma padaria. Depois eu comecei a viajar a bordo de um navio e cada navio tinha sua própria padariazinha e padeiro e aí comecei a trabalhar junto com ele, interessado em aprender. Comecei isso com 16 anos. Até que em 1959 vim de vez do Amazonas para cá”.

As recordações nos fazem esquecer a dificuldade do transporte nos rumos amazônicos e nos fazem pensar quão mágico era se aventurar pelas águas dos rios que cortam a região, principalmente a do Acre. Não mais um adolescente e também não mais dentro de navios, Seu João, hoje com 85 anos, continua a vender pão no cesto. Mas, agora e desde muito tempo, em terra firme, na Panificadora Nossa Senhora do Rosário.  

Fomos conhecer a padaria graças ao contato do Orlando, um dos 14 filhos do Seu João, que lá de São Paulo viu o blog e por admiração ao nosso trabalho, sentiu um desejo grande de homenagear o pai. Eu, Diego, como fui criado em padaria, entre sacos de farinha de trigo e torradas de pão amanhecido, me senti bastante tocado para fazer esse registro.

Pois, lá passamos um dia todo, comendo e conversando com esse senhorzinho de olhar desconfiado e sorriso doce, que mesmo aposentado ainda não abandonou o posto e segue obstinado e forte. Claro que Seu João já não põe mais a mão na massa, mas os olhos e o paladar aguçado seguem em funcionamento. É que, além de administrar, ele fica ligado para que a qualidade do pão não saia da linha. Fiscaliza mesmo.

A gente sentiu mesmo essa qualidade numa beliscada num docinho aqui e um salgadinho ali, entre uma foto e outra. Também porque ouvimos que vem pessoas de outros cantos até o bairro do Bosque para buscar pão manual. Amigos, como eles chamam os clientes, que compram ali desde 1964, quando a padaria foi oficialmente aberta, e hoje fazem encomendas para levar a outras cidade e até outros estados.

Uma facilidade para carregar o pãozinho do Seu João para lá e para cá, que se distancia da dificuldade que ele conta que passou, quando antigamente, ainda no início dos negócios, a farinha de trigo chegava apenas em um período do ano. Aí era desgosto e até dois meses sem poder trabalhar.

Mas, isso não acontece mais. Hoje há muita farinha e muito o que fazer. Funcionários com mais de 30 anos de trabalho, amigos comprando desde sempre e muitas memórias da Rua Coronel José Galdino, 306. Por esse motivo, Seu João e sua padaria são personagens que compõem a história de Rio Branco. São 52 anos de muito pão e muito bom dia no mesmo lugar.

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9 comentários sobre “Seu João e a padaria mais antiga de Rio Branco

  1. Muito bom, muito delicioso, muito carinho em cada pão, sinto me lisonjeado de fazer parte dessa equipe e dessa família, clientes amigos, funcionários família…

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  2. Quero parabenizar a este baluarte da panificação acriana, um homem de fibra, garra e acima de tudo um entusiasta da panificação.
    É esse reconhecimento do trabalho que as pessoas precisam e não quando morrem que são lembrados pelo que fez, claro que é bom lembra de um legado que se deixa mais quando em vida melhor. Seu João Geraldino é um grande amigo ao qual tive a honra de fazer parte da diretoria quando ele era presidente do SIPCEA hoje SINPAN – Sindicato da Industria de Panificação do Estado do Acre.

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  3. Meu pai, José Martins da Silva, trabalhou por longos anos com o seu João Geraldino e sempre falava de sua integridade e amizade sincera. Me emocionei muito com a matéria, pois também cresci dentro de padaria. E essa, em especial, me trás Boas recordações.

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