Machu Picchu: a cidade perdida pela exploração

⦾≈ We visited Machu Picchu, the famous sacred city of the Incas. Instead of feeling the whole mystic experience, we only saw greedy and unbridled tourism. What a great moneymaker is that place. It’s a little sad, actually. A place that’s so incredible and important, handled solely for money, money, money. A place that was spoiled by Peruvians who want to explore the tourists as much as they can and by tourists who do not seem to know what they are doing there (besides pointing their selfie sticks everywhere). Exploration vs. exploitation. In the end, neither of us felt that different energy that everyone says it feels when you’re there. The structure of the lost city, its history, architecture and meaning are wonderful, but the ambition and exacerbated tourism end up screwing it all up.


Deixamos Arequipa e seguimos rumo a Cusco. Nosso objetivo era conhecer um dos pontos turísticos mais famosos e salgados dessa América do Sul. Já tínhamos conhecimento de uma cidade extremamente cara e lotada de turistas. Foi pior do que imaginávamos. Cusco é muito bonita em sua parte histórica, mas infelizmente é uma região que funciona muito mais para os estrangeiros. Não imaginamos nem metade dos locais podendo consumir naqueles muitos comércios. Falta autenticidade. Assim, dormimos apenas uma noite lá para no dia seguinte fazer a função econômica para chegar à cidade perdida dos Incas. 

Processed with VSCOcam with g3 preset

Processed with VSCOcam with g3 preset

Processed with VSCOcam with g3 preset

Processed with VSCOcam with g3 preset

Processed with VSCOcam with g3 preset

Processed with VSCOcam with g3 preset

Processed with VSCOcam with g3 preset

Processed with VSCOcam with g3 preset

É preciso acordar bem cedo para fazer todo o rolê baixo custo e a gente explica como faz. Acordamos às 5h e uma hora depois pegamos uma van que nos levou até Santa Maria, que fica a aproximadamente 4h de Cusco num trajeto lindo, todo por entre montanhas e nevados. 25 soles. Em Santa Maria tomamos uma van, que em uma hora nos levou a Santa Tereza. Aqui já começa a região de selva do Peru, ou seja, muito verde e calor. 10 soles. Depois, já em Santa Tereza, pegamos uma outra van que nos levou até a hidrelétrica. 5 soles. Aí então inicia a parte mais gostosa de fazer todo esse percurso: caminhar junto ao trilho do trem por duas horas e meia, entre rios e montanhas de floresta amazônica, para chegar a Aguas Calientes/Machu Picchu pueblo (lugar lindo, esquisito e um tanto falso, feito todo para turistas).

Não fosse esse giro todo, a outra opção é pagar o famoso trem turístico que te leva por mais ou menos $100 cada trecho. É muito, muito caro. Estamos falando de dólares. Bom, pior ainda é a cidade de Aguas Calientes. Como apenas 30% do pueblito é formado por gente local – e o restante criado para turistas -, tudo lá é extremamente caro, desde hospedagem a comida. Por isso levamos coisas de comer desde Cusco. Mas, deixar de dormir lá, não dava. Precisávamos descansar da longa caminhada para no outro dia acordar às 5h de novo e subir a Machu Picchu, ou pagar $19 de ônibus que leva e traz. Muito dinheiro, pouca aventura. Mas, avisamos, a subida íngreme para chegar a entrada da cidade perdida é pesada e leva em torno de uma hora e meia para fazer. Porém, é de graça. Um beijo.

E o que dizer de Machu Picchu? A gente chegou e logo a tristeza e a decepção bateram. Sabíamos que era período de chuva e estava na pior época do ano para visitação. Estava com muita, mas muita neblina e era difícil de ver. O jeito foi sentar, comer os lanchinhos das crianças e esperar o tempo abrir. Eduardo porca vaca até teve piriri no meio do mato em pleno Machu Picchu. Abusada. Bom, e aí o tempo abriu. Ficamos felizes, ficamos meio esquisito. Quanta gente! Quanto negócio! Que grande máquina de fazer dinheiro é esse lugar. Era preciso pedir licença para passar por várias partes das ruínas. Se desviar para não sair nas inúmeras selfies. Não ser atropelado pelos inúmeros grupos e seus guias turísticos.

É um pouco triste. Um lugar tão incrível e importante, manejado unicamente para plata, plata e plata. Isso desde o meio de transporte “oficial” até lá (o trem e o ônibus), pensando na entrada (142 soles), até os guias que te cobram 100 soles para caminhar e te explicar tudo (você pode achar gente para dividir). Sem dizer que ainda é preciso pagar para usar o banheiro. Foi muito legal estar lá, mas não sei. Passamos o dia discutindo nossos sentimentos. Eu, Diego, não gostei. Para mim se tornou um lugar perdido na ganância. O Du queria muito conhecer desde pequenino, ficava vendo documentários sobre os incas no YouTube e ainda tem mixed feelings sobre tudo: é um lugar incrível que foi estragado 1) por peruanos que querem explorar como podem 2) por turistas que parecem nem saber o que estão fazendo lá (além de apontar seus paus-de-selfie pra todos os lados). Exploração versus exploração.

Bandeira Inca em Cusco

No fim das contas, nenhum de nós sentiu essa energia diferente que todo mundo diz que sente quando está lá. A estrutura da cidade perdida, sua história, arquitetura e significado são maravilhosos, mas a ambição e o turismo exacerbado acabam estragando tudo isso.

Anúncios

14 comentários sobre “Machu Picchu: a cidade perdida pela exploração

  1. Estava em meu roteiro como uma das prioridades mas o post me ajudou a pensar bem!
    Talvez seja melhor ir pras chapadas pra sentir essa espiritualidade.

    BELAS FOTOS

    Curtir

    1. Desculpe-nos. A intenção não era destruir imaginários, viu. Bom, é lugar incrível, cheio de histórias. Caminhar por lá é tentar descobrir vidas em cada pedras. Mas, infelizmente é um ponto não só turístico, como extremamente perdido em negócios. Dá um pouco de raiva de ver como o Peru transformou esse lugar numa espécie de Beto Carreiro World.

      Curtido por 2 pessoas

      1. Compartilho do sentimento de vocês. Estive lá e não estive ao mesmo tempo… No Vale do Colca, com pouco menos turismo (nem tão menos assim) consegui me conectar um pouco mais. Vale pela paisagem incrível e história linda! E sigam bem, mochileiros 😉

        Curtir

  2. A Prima vez que fui, foi em 1982, conheci literalmente o Machu Picchu dos incas, não havia Bus, era pernada, cavalo, ou um “pau de arara”… Pisac era linda, não o que é hoje. Fui nas ruínas e realmente só existiam alguns ” andarilhos” vivíamos entre ruínas e seu povos, tempo bom…trocavamos, discos do Roberto Carlos por pratas, comida e roupas de frio. A segunda vez que fui foi tb nos anos 90/ 2013/2014. Onde já encontrei tudo isso o que vcs narraram aqui e digo, Além de Machu Picchu, tem muitos outros lugares fora do Vale Sagrado, onde ainda podemos experimentar de um tour guiado, caminhando e super barato. Pelas montanhas, por cima e acima dos Gringos e dos tantos comércios que detonam um jogar…exitem outros meios de sentir a magia do Vale Sagrado.
    Show suas fotos! Namasté

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s